Manifesto Data Center Não! O território é nosso, a decisão também! Assembleia pelo Clima contra os Data Centers — 19/09
Manifesto — Assembleia 19/09 · Barão Geraldo

Data Center, não! O território é nosso, a decisão também!

19/09 (sábado) às 10h — Teatro Barracão - Rua Eduardo Modesto, 128, Vila Santa Isabel

Manifesto — Data Center, não! O território é nosso, a decisão também!

Nas últimas semanas, foi anunciada a construção de um mega data center de inteligência artificial na região de Barão Geraldo, em Campinas/SP – uma infraestrutura que representará cerca de 40% da capacidade nacional de processamento de dados. Esse empreendimento faz parte do PIDS (Polo de Inovação para o Desenvolvimento Sustentável), uma articulação da prefeitura de Campinas e do governo de Tarcísio de Freitas com grandes empresários que entrega parte expressiva do território de Barão Geraldo para a iniciativa privada. Entre suas principais consequências estão: o aumento explosivo do preço dos aluguéis – que já são exorbitantes –, a sobrecarga de equipamentos públicos – já insuficientes para atender a população – e uma destruição ambiental sem precedentes, com o avanço do desmatamento e a interrupção de corredores ecológicos.

Essas megaestruturas não são neutras e geram consequências sociais e ambientais desastrosas; consomem bilhões de litros de água para refrigeração, colocando em risco o abastecimento da população local; liberam resíduos tóxicos que poluem os rios dos quais retiram água; exigem volumes exorbitantes de energia, pressionando para cima o valor da conta de luz; e produzem ruído constante, comprometendo o bem-estar e a qualidade de vida de quem vive ao redor. Tudo isso num cenário de aquecimento global intenso e da iminência de um El Niño recorde durante o verão no país, com eventos climáticos extremos – deslizamentos, ondas de calor, chuvas torrenciais fora de época – tornando-se cada vez mais frequentes e devastadores. Quem paga a conta ambiental dos data centers?

Diante desse quadro, populações do mundo inteiro têm resistido e expulsado os data centers erguidos pelas Big Techs – as verdadeiras responsáveis por financiar esse modelo predatório de extração e armazenamento de dados. Por trás do discurso da inovação e da sustentabilidade, esconde-se uma lógica profundamente colonial, em que territórios são reduzidos a reservas de água e energia e populações locais à mão de obra barata a ser explorada.

As Big Techs – gigantes da tecnologia que dominam o mercado digital e a infraestrutura de dados – dependem diretamente da infraestrutura física dos data centers, sem a qual a internet, os streamings, os jogos online e as redes sociais, por exemplo, não existiriam. Isso porque eles concentram os supercomputadores responsáveis por hospedar, proteger e processar os bilhões de dados gerados a cada segundo no mundo. Contudo, essa dependência física não é apenas uma questão de engenharia, mas também de poder geopolítico. Alinhados ao programa político da extrema direita, os gigantes da tecnologia buscam transferir para o Brasil e para outros países do Sul Global essas infraestruturas danosas. Para assegurar os interesses de um punhado de bilionários das Big Techs, Trump e seus aliados estão dispostos a intervir em nossas eleições e em nossas decisões soberanas. Por isso, reafirmamos: a luta contra a instalação dos data centers é uma questão de autodeterminação dos povos, de defesa do futuro no nosso planeta e de soberania nacional!

Numa tentativa de ocultar os interesses em jogo e maquiar as consequências ambientais, as Big Techs têm investido também bilhões em propaganda enganosa. Afirmam que vão gerar milhares de empregos, que investirão bilhões na cidade e que seu projeto é "sustentável" – mas os fatos e a experiência internacional mostram que, por onde os data centers passam, deixam um rastro de destruição.

Por todos esses motivos, é um absurdo que a prefeitura de Dário Saadi em Campinas tenha fechado um acordo a portas fechadas para instalar um mega data center e não tenha, nem por um instante, aberto qualquer canal de diálogo com os moradores de Barão Geraldo e da cidade sobre os múltiplos impactos que essas infraestruturas acarretam. Soma-se a isso a inexistência de estudos profundos conduzidos por especialistas sobre como esse mega data center afetará o meio ambiente e todas as formas de vida que residem na região.

Para nós, é fundamental que a população possa participar de discussões sobre as consequências que ele representará e possa ter poder de decisão se quer ou não que essa megaestrutura seja construída em Campinas. É necessário apostar no debate coletivo democrático com moradores e cientistas, levando em conta a diversidade de pautas e problemas que envolvem a questão, como método para lidar com esse tema diante de um cenário generalizado de colapso ambiental. Por isso, para nós, a luta em defesa da soberania se conecta profundamente com a luta por participação popular na tomada das decisões: Não há soberania real sem participação popular!

Convocamos todos os ativistas, movimentos sociais, moradores e cada um e cada uma que está indignada com esse processo para uma Assembleia pelo Clima contra os Data Centers no dia 19/09 (sábado), às 10h, no Teatro Barracão - Rua Eduardo Modesto, 128, Vila Santa Isabel. Vamos juntos discutir como se mobilizar contra o autoritarismo de Dário, Tarcísio e as Big Techs e pensar qual cidade queremos construir. Se eles tentam impor de cima para baixo as decisões, a gente se auto-organiza de baixo para cima para lutar!

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Datacenter não!